quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Capitulo 2


     Quando tinha 5 anos, ainda era a filha mais nova, minha irma mais velha me protegia, entrava em brigas por mim, ela me defendia, era a caçula e unica loira da família, tinha olhos verdes e bochechuda. Então a minha mãe engravidou e teve a Ariana, ela era a neta mais nova, era loura, olhos verde, delicada, parecia um anjinho e do nada, todos me ignoraram, eu deixei de ser mimada, fui deixada de lado, então comecei incessável luta para chamar atenção.

     Nesse período fazia coisas do tipo, me cortar e ate ameaçar me jogar de uma ponte, devia ter uns 11 anos na época. Então comecei a ir no psicologo, ou fingir que ia. Minha irma mais velha entrou em crise, digamos crise de existência e minha mãe, preocupada, fazia tudo, tudo mesmo para que ela parece com isso e saísse daquela vida. Depois de uns anos, deixando tudo mundo louco ela mudou e arrependeu de tudo que havia feito, sua sorte porem, foi que arrependera cedo. Mas sei la, foi como se algo estalasse na minha cabeça, então decidi que se para ter atenção deveria ser assim, pois bem, faria pior do que minha irma havia feito.

     Não deu outra, quando completei 14 naos, comecei a me envolver com umas pessoas de péssima influencia, "amigas" que se diziam "amigas', começaram a me levar para os lugares errados. Comecei bebendo e as minhas "tentativas" de suicídio continuavam, tomava remédios, me cortava, fazia muito drama para minha mãe, ate que uns meses depois descobrimos que ela era hipertensa, e sinceramente nem ligava, não estava nem ai.

     Minhas tentativas de chamar atenção foram piorando no decorrer dos meses, passei a usar drogas bebia muito e meu pai não estava nem ai, não sabia o que estava acontecendo, minha mãe não contava, ate que um dia ele me viu em um bar com varias mulheres, bebendo e me deu uma surra.

     Chegava em casa muito tarde, nas primeiras vezes por estar em festas, ate que minha mãe começou a me proibir e eu simplesmente fugia de casa, foi ai que comecei a ficar "falada" na cidade, já que o lugar era um povoado -minusculo- e lá todos se conheciam. Tinha uma "amiga" que se chamava Ciara, um ano mais velha que eu, que começou a me levar em lugares de grande perdição, tinha apenas 14 anos e comecei a me prostituir, não fui obrigada, nem nada disso, simplesmente gostava. A principio, minha família só desconfiavam, ate que um dia minha mãe encontrou coisas sexuais na minha mochila da escola e no dia seguinte me viu entrando em casa as 5 da manha com roupas de prostituta, mas minha mãe ainda não sabia que estava usando drogas.

     Foi então que tias, primas, começaram a conversar comigo, me mandarem mensagens em redes sociais para que parasse com isso, que eu ia acabar matando a minha mãe. Eu tinha ódio deles por querem mandarem em mim, e deixava isso claro, contudo, de maneiras muito grosseiras, então um por um,  foi se afastando ate eu perceber estar sozinha.

     Uma noite, tinha 17 anos, minha mãe não estava muito bem, eu havia saído e chegado em casa no outro dia as 6:15 da manha, bêbada, drogada, com as roupas desmazelas, cheia de hematomas, não me lembro oque eu havia feito aquela noite, a ultima coisa que me lembro, é da minha mãe perdendo os sentidos. Ela quase morreu, teve AVC. Foi a pior sensação da minha vida, não sabia o que fazer, me sentia muito culpada. Então a partir daquele momento eu havia decido que ia parar com aquilo que minha mãe quase morreu por minha culpa.

     No meio ainda daquele ano, eu comecei a passar muito mal, fiz inúmeros exames, e no final do ano, eu estava no segundo ano do ensino médio- havia repetido uma vez durante esses anos- passei muito mal na sala de aula, fui internada e diagnosticada com HIV. Pedi para os médicos não contarem para minha mãe. Ninguém sabe, pois não tenho mais amigos e naquele período havia abandonado a minha família. 

      Quando terminei o ensino médio aos 18 anos, decidi mudar de estado e acabei fazendo faculdade de Veterinária. Voltei para a minha cidade apenas duas vezes quando minha sobrinha nasceu e em um natal, a 5 anos atras.

     Eu não ouvi a minha família quando quiseram me ajudar, quase matei a minha mãe, jamais poderei ter filhos, não tenho um marido, todos que eu tive se foram, vivo só, com 5 gatos.

     Hoje sentada na cadeira de balanço olhando pela janela, me pergunto o que estará fazendo a minha mãe, meus tios e tias, primos e primas e se eles ainda lembram de mim, pois hoje depois de tudo, o que eu mais queria era ouvi-los dizer que sentem a minha falta.





Fim. 












Capitulo 1


     Minha historia não é nenhum conto de fadas, embora, desde pequena tenha aquele sonho de menina, que é encontrar o príncipe encantado- ele não precisava estar em um cavalo branco, uma moto já era o suficiente-, não vou dizer que não encontrei, sim, eu os encontrei, mas não somente um, e sim 5, que ao saber da minha historia, se foram assim como surgiram; do nada.

     O primeiro se chamava Landon, eu tinha 19 anos e ele 21, primeiro ano na faculdade,o encontrei enquanto andava pelo campus a procura de um monitor e la estava ele, era encantador, não só seu físico, mas suas atitudes, era um cavaleiro. Landon era justo, e amava me encher de doces-principalmente chocolates- era carinhoso, me ligava sempre que podia, era atencioso e não deixava passar nada. Quando ele descobriu o meu passado, simplesmente disse que não poderia viver comigo, por tudo que havia descoberto.

     O segundo foi Jeremy, tinha 22 anos e ele 23, ia me formar em Veterinária, o vi pela primeira vez na formatura, a irma dele Lívia, que se formava em nutrição, foi como se dizem, "amor a primeira vista". Assim como Landon, Jeremy era atencioso, carinhoso, encantador, fazia de tudo para me alegrar e sempre velejava, quado descobriu sobre meu passado, simplesmente disse que não conseguiria viver comigo, depois de tudo que havia acontecido.

     Estava começando a perceber como o meu passado estava arruinando minha vida amorosa.
     
     O terceiro foi Trenton, eu o conheci em uma cafeteria, tinha 23 anos e ele 24. Trent  havia deixado cair um copo quente de cafe em cima de mim, lembro de ter discutido muito com ele, e na noite seguinte estarmos no cinema aos beijos. Ele era tudo os que os outros 2 foram, a unica diferença é que o Trent amava cinema. Ele a principio descobrira algumas coisas sobre meu passado, não pude-lhe contar tudo, não tinha coragem, mas Trent era muito astuto, e percebera na época que eu havia escondido algumas coisas dele, e quando descobriu me abandonou alegando que eu não cofiava nele o suficiente para contar sobre a minha vida.

     O quarto era Travis, ele era completamente diferente dos outros e muito parecido ao mesmo tempo, esse tinha uma moto, assim como jaqueta de couro e botas pretas. Ele era lutador, muito inteligente alem de ser carinhoso, preocupado, atencioso, gentil. Comecei a namora-lo eu tinha 25 anos e ele também, nosso namoro durou 2 anos, foi incrível, assim como os outros 3, ele me fez muito feliz, e ao descobrir sobre o meu passado disse que me amava muito, mas não conseguiria viver comigo sabendo tudo que eu havia feito.

     O quinto foi o Lucas, ele lembrava muito o Travis, comecei a namora-lo eu tinha 29 anos e ele 32, foi o namoro mais longo-7 anos-, chegamos noivar e tudo. O que dizer do Lucas? Ele era carinhoso, atencioso, gentil, meigo, inteligente, romântico, muito bom em economia, ele cuidava de mim e desenhava excepcionalmente bem, me desenhou um milhão de vezes, eu o amava. Quando lhe contei sobre o meu passado, este ficara calado, olhando para meus olhos enquanto eu esperava a hora em que ele iria dizer que não poderia viver mais comigo. Contudo, não foi o que aconteceu, ele continuou comigo durante uns 6 meses. Mas a quem queríamos enganar, não era mais a mesma coisa, ele agia diferente, não havia mais o amor, da parte dele como havia antes, ele ainda era carinhoso, entretanto, a nossa intimidade não era mais a mesma coisa, nem de longe, ele era distante, era como se um barreira tivesse surgido entre a gente. Ele sofria, eu sofria ao vê-lo assim. 
     
     Uma noite porem, chovia muito, lembro-me de te-lo chamado ao quarto e dizer a ele, que queria terminar, queria que tudo isso acabasse, ele chegou a protestar, mas eu via em seus olhos que ele de certa forma estava aliviado e também imensamente triste por tudo ter acabado assim. Lucas me dera um abraço dizendo que lamentava muito tudo que eu fizera no passado, que ele havia sido muito feliz comigo, me amado e que havia tentado muito para que continuássemos juntos.

     Lucas não me abandonou, eu fui embora.

     Não os culpo, de forma alguma, culpo a mim mesma por ter feito TODAS as escolhas erradas quando mais nova. Hoje tenho 45 anos, moro sozinha e tenho 5 gatos machos que levam o nome dos meus 5 príncipes.



Continua no próximo capitulo...