Quando tinha 5 anos, ainda era a filha mais nova, minha irma mais velha me protegia, entrava em brigas por mim, ela me defendia, era a caçula e unica loira da família, tinha olhos verdes e bochechuda. Então a minha mãe engravidou e teve a Ariana, ela era a neta mais nova, era loura, olhos verde, delicada, parecia um anjinho e do nada, todos me ignoraram, eu deixei de ser mimada, fui deixada de lado, então comecei incessável luta para chamar atenção.
Nesse período fazia coisas do tipo, me cortar e ate ameaçar me jogar de uma ponte, devia ter uns 11 anos na época. Então comecei a ir no psicologo, ou fingir que ia. Minha irma mais velha entrou em crise, digamos crise de existência e minha mãe, preocupada, fazia tudo, tudo mesmo para que ela parece com isso e saísse daquela vida. Depois de uns anos, deixando tudo mundo louco ela mudou e arrependeu de tudo que havia feito, sua sorte porem, foi que arrependera cedo. Mas sei la, foi como se algo estalasse na minha cabeça, então decidi que se para ter atenção deveria ser assim, pois bem, faria pior do que minha irma havia feito.
Não deu outra, quando completei 14 naos, comecei a me envolver com umas pessoas de péssima influencia, "amigas" que se diziam "amigas', começaram a me levar para os lugares errados. Comecei bebendo e as minhas "tentativas" de suicídio continuavam, tomava remédios, me cortava, fazia muito drama para minha mãe, ate que uns meses depois descobrimos que ela era hipertensa, e sinceramente nem ligava, não estava nem ai.
Minhas tentativas de chamar atenção foram piorando no decorrer dos meses, passei a usar drogas bebia muito e meu pai não estava nem ai, não sabia o que estava acontecendo, minha mãe não contava, ate que um dia ele me viu em um bar com varias mulheres, bebendo e me deu uma surra.
Chegava em casa muito tarde, nas primeiras vezes por estar em festas, ate que minha mãe começou a me proibir e eu simplesmente fugia de casa, foi ai que comecei a ficar "falada" na cidade, já que o lugar era um povoado -minusculo- e lá todos se conheciam. Tinha uma "amiga" que se chamava Ciara, um ano mais velha que eu, que começou a me levar em lugares de grande perdição, tinha apenas 14 anos e comecei a me prostituir, não fui obrigada, nem nada disso, simplesmente gostava. A principio, minha família só desconfiavam, ate que um dia minha mãe encontrou coisas sexuais na minha mochila da escola e no dia seguinte me viu entrando em casa as 5 da manha com roupas de prostituta, mas minha mãe ainda não sabia que estava usando drogas.
Foi então que tias, primas, começaram a conversar comigo, me mandarem mensagens em redes sociais para que parasse com isso, que eu ia acabar matando a minha mãe. Eu tinha ódio deles por querem mandarem em mim, e deixava isso claro, contudo, de maneiras muito grosseiras, então um por um, foi se afastando ate eu perceber estar sozinha.
Uma noite, tinha 17 anos, minha mãe não estava muito bem, eu havia saído e chegado em casa no outro dia as 6:15 da manha, bêbada, drogada, com as roupas desmazelas, cheia de hematomas, não me lembro oque eu havia feito aquela noite, a ultima coisa que me lembro, é da minha mãe perdendo os sentidos. Ela quase morreu, teve AVC. Foi a pior sensação da minha vida, não sabia o que fazer, me sentia muito culpada. Então a partir daquele momento eu havia decido que ia parar com aquilo que minha mãe quase morreu por minha culpa.
No meio ainda daquele ano, eu comecei a passar muito mal, fiz inúmeros exames, e no final do ano, eu estava no segundo ano do ensino médio- havia repetido uma vez durante esses anos- passei muito mal na sala de aula, fui internada e diagnosticada com HIV. Pedi para os médicos não contarem para minha mãe. Ninguém sabe, pois não tenho mais amigos e naquele período havia abandonado a minha família.
Quando terminei o ensino médio aos 18 anos, decidi mudar de estado e acabei fazendo faculdade de Veterinária. Voltei para a minha cidade apenas duas vezes quando minha sobrinha nasceu e em um natal, a 5 anos atras.
Eu não ouvi a minha família quando quiseram me ajudar, quase matei a minha mãe, jamais poderei ter filhos, não tenho um marido, todos que eu tive se foram, vivo só, com 5 gatos.
Hoje sentada na cadeira de balanço olhando pela janela, me pergunto o que estará fazendo a minha mãe, meus tios e tias, primos e primas e se eles ainda lembram de mim, pois hoje depois de tudo, o que eu mais queria era ouvi-los dizer que sentem a minha falta.
Fim.
Parabéns amor, você escreve muito bem.Ficou muito bom.
ResponderExcluirObrigada amor!
Excluirficou muito bom nana parabéns
ResponderExcluirObrigada Kél!
ExcluirUma história que nos faz
ResponderExcluirparar e refletir á respeito, muito interessante.. Parabens Nah :)
Obrigada Sthefany! Mesmo! (: <3
ExcluirFiquei bege, Nai!
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